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NÃO É SOBRE BBB! É SOBRE VOCÊ!

NÃO É SOBRE BBB! É SOBRE VOCÊ!


ANÁLISE: a saída da Carla Diaz só expõe a verdade sobre o Brasil
A relação conflituosa de Arthur e Carla Diaz no BBB21 virou pauta no Brasil. Famosos e anônimos palpitaram sobre esse relacionamento. Aqui eu publiquei algumas entrevistas que forneci a UOL acerca de comportamentos pontuais deles. Sabemos que existe uma MENTE COLETIVA que, em geral, espera que a mulher seja mais carinhosa, afetiva e que o homem hétero seja mais fechado, de certa maneira até embrutecido. Esse casal esteve perfeitamente dentro destes estereótipos.  Embora o senso comum diga que isso é instintivo, na verdade é uma construção social de como se performa feminilidade e masculinidade dentro de alguns padrões vigentes ainda hoje. 


Na história narrada e vivenciada diante do grande Juri, digo, do grande Público, Arthur fez de tudo para ficar com a atriz, demonstrou interesse, se disse encantado, que a presença dela era a melhor coisa que tinha acontecido para ele no programa e insistiu até conseguir o que queria. Depois, o instrutor iniciou os comportamentos de estar se escondendo atrás de Projeta para evitar contato com a atriz, para desconversar vontades e convites dela. Considerando o histórico de Carla, a superação de um câncer, o fato de essa ser uma primeira relação após a cura, e até o nível de exposição com seu comportamento de permitir tanta violência, gerou muitos julgamentos.
Recentemente trabalhei aqui a análise das questões de absolvições em Feminicídios, com base no entendimento do júri (pessoas do povo como no BBB), sendo movidas pela defesa da honra masculina, dando legitimidade a essa defesa subjetiva, mesmo que tendo, para isso, custado a vida da mulher. Essa maneira de se relacionar, essas crenças e posicionamentos de cada parte dentro da construção dos relacionamentos no nosso país, demonstram a verdade sobre o nosso sistema de crenças. Neste profundo, percebemos que os discursos são superficiais e a defesa dessas mulheres está ainda longe do entendimento da raiz e, portanto, da cura tão buscada. É necessário tratar, através da abordagem sistêmica a Mente dos integrantes da dinâmica relacional.


O aqui exposto, é facilmente perceptível pelas atitudes do instrutor de crossfit com a atriz que configuraram “supostos crimes” de Violência Doméstica, desprezando-a, forçando-a e mantendo atos libidinosos contra sua vontade e consentimento, usando palavras e gestos de visível violência psicológica, permitindo que os demais a insultassem e falassem mal dela e do relacionamento de ambos, de forma omissa; enfim, uma série de circunstâncias que provocou dor no público feminino.


O que podemos perceber é que foi muito mais comentado o comportamento de Carla, tirando da equação as atitudes de Arthur, o que pode ser considerada uma visão misógina das coisas. Para quem não tem costume de ouvir o termo, misoginia significa "ódio ou aversão às mulheres". Não necessariamente essa misoginia aparece (apenas) como violências de qualquer tipo, mas também no sentido da mulher ser colocada como culpada e ser constantemente julgada pelas decisões que toma. As mulheres condenaram a postura de Carla, e não suportando ver tudo isso, preferiram eliminá-la. É assim na vida, tudo o que causa dor, a gente busca eliminar e muitas vezes fingir que não está ali, que não existe e simplesmente excluir da nossa vida.


Para uma análise profunda desse romance, é necessário buscarmos “a essência do invisível”, a dinâmica sistêmica que gere esses relacionamentos, onde ambos são vítimas e vilões ao mesmo tempo. É uma situação delicada. Percebemos muitas mulheres que se identificam com o comportamento de Carla, de correr atrás e se jogar de cabeça na relação com alguém que não compartilha do mesmo sentimento. Aliás, usuários do Twitter chegaram a comentar como a situação envolvendo os dois escancara o medo das mulheres de ficarem sozinhas.
Essa é uma questão da socialização feminina, e diz respeito à maneira como fomos entendidas e ensinadas ao longo da história - afinal, quem se lembra que, séculos atrás, uma mulher sem pretendentes de casamento era uma desonra para a própria família? Era comum a questão do casamento obrigatório e dos dotes pagos aos homens pelo matrimônio. Tudo isso colabora para a cultura do medo de ficar sozinha, que, inclusive, faz com que as mulheres aceitem migalhas afetivas, mesmo de forma inconsciente, para evitar a solidão. 


As pessoas, então, começam a não aceitar enxergar aspectos sombrios de seus próprios inconscientes e num processo bastante conhecido pelas ciências que estudam a mente humana, que denomino “espelhamento”, passam a ter atitudes de violência, tentando quebrar o espelho. Esse movimento é perceptível com a eliminação de Carla que foi a mais votada pelo público com uma diferença de 0,51% do segundo colocado. Ela teve 44,45% dos votos contra 44,96% de Rodolffo.  O apresentador chegou a dizer que o público quebrou recorde de votação na história do BBB, com quase três milhões de votos por minuto durante o ao vivo. Ao total, foram 535.713.590 participações do público. 


De fato, o 'BBB' é um jogo e fazer um casal é, sim, uma estratégia de fortalecimento bastante conhecida dentro e fora da casa - quem aí viu Jogos Vorazes? O que acontece entre Peeta e Katniss é exatamente isso, a formação de um casal para vender uma narrativa e vencer o jogo. O exemplo pode ser extremamente popular, mas ele tem respaldo no que acontece em tantos programas e realities que vemos por aí. De qualquer maneira, é o que Arthur parece ter feito também. No entanto, manter alguém no escuro é manifestação de alguém também adoecido em suas emoções, não conseguindo se posicionar diante da vida de uma maneira madura.

Academia Matemática das Relações
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