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Dra. e o Zé da Penha?

Dra. e o Zé da Penha?

 

No decorrer da minha vida, vivi experiências incríveis de aprendizados profundos na alma. Um deles está intimamente conectado a essa frase do título. Com base nisso, escrevi um livro com o mesmo nome e organizei uma Mini série relatando essa fase extraordinária que se misturou as mudanças do nosso cenário nacional.

Enfim, após toda uma vida de estudos e dedicação para encontrar respostas e soluções para as situações de violência doméstica contra as mulheres, movimento que se misturou a minha busca incessante pela própria cura, haja vista ter nascido num lar cheio de violência e tristezas, devido vários fatores que hoje sei serem causadores de tamanha destruição de famílias e jovens advindos desses lares, consegui estar inserida no movimento que bradava pelos Direitos iguais entre homens e mulheres.

Participei por muitos anos do movimento feminista. Estive conectada a algumas ONGs no Brasil e no mundo, lutando pelos Direitos das Mulheres e crianças vítimas de relacionamentos abusivos e violência doméstica. Participei de grupos de discussão e Fóruns para o debate político e internacional, junto a ONU para a criação da famosa Lei nº. 11.340/2006, conhecida como "lei Maria da Penha", e toda a sua aplicabilidade e garantia de eficácia. Estive em Brasília algumas vezes com outras mulheres para planejar e colocar em prática Políticas Públicas que favorecessem o universo feminino.

Ano da promulgação da lei, estava em Pernambuco, junto de um grupo de mulheres comemorando os resultados de tamanho trabalho desde as primeiras feministas, as quais honrávamos seus esforços e até sacrifícios de vida, e recitando em uníssono e alta voz o poema de Carlos Drummond de Andrade: "E agora José?". Sentimento pulsante de Justiça, talvez mais intimamente e até inconscientemente de vingança.

Naquele instante de êxtase, pela primeira vez, um homem se colocou na minha frente e fez a tão inesperada pergunta: "Dra., e o Zé da Penha?" Inacreditável a audácia e desrespeito percebido em relação aquele que queria mais uma vez comparar homens e mulheres numa sociedade patriarcalista que durante tanto tempo sujeitou e subjugou as mulheres e seus direitos. Achei aquela fala totalmente inadequada e desrespeitosa. Lembro que respondi com raiva que agora o Zé ía pagar por tudo o que fez.

Interessante que, com o passar dos anos, ocupando cargos diretamente relacionados a essa lei, como Secretária da Mulher, presidente do Conselho de Direitos da Mulher, Policial Civil, Advogada, fui vivendo as consequências dessa lei e a partir do acompanhamento de milhares de famílias, todos os dias, nesses 14 (catorze) anos aprendi, na prática, e nos estudos, que há muito mais informações que interferem diretamente nessas situações de crimes familiares.

Fiz pesquisa de campo, através do Instituto, nos Presídios pernambucanos, descobri que aqueles homens (acusados e condenados) tinham uma história de uma infância alienada. Percebi que são vítimas de vítimas e agressores de agressores. Há um padrão matemático nos comportamentos e realidades criadas e vivenciadas. geralmente mulheres vítimas são filhas de mulheres vítimas que são filhas de mulheres vítimas. Há uma lealdade oculta, impregnada no Sistema Familiar das pessoas que, inconscientemente, escolhem sofrer em seus relacionamentos.

Parece absurdo, mas sou testemunha de tudo isso. Os anos foram passando, eu permaneci estudando, pesquisando e aplicando esse conhecimento na prática das diversas pessoas que se permitiam, confiando no meu trabalho. E por inúmeras vezes, outros homens se apresentaram na minha frente, formulando corajosamente a mesma pergunta: "Dra., e o Zé da Penha?" Conforme os anos passavam, confesso que minha resposta ficava cada vez mais branda.

Trabalhando incessantemente, descobri que o conhecimento matemático, os números, códigos, leis, música, vibrações interferem diretamente nesses resultados. Descobri que existem leis por trás dos relacionamentos incríveis. Existe uma Matemática das Relações, uma verdadeira ciência capaz de transformar qualquer situação de conflito e até crimes familiares em relacionamentos harmoniosos. Fui mais além: se essa fórmula é capaz de reverter até criminosos, como seria aplicando em pessoas comuns que simplesmente não possuem esse tipo de orientação?

Tudo isso me levou a posição de OBSERVADORA do cenário mundial: Vi que as pessoas do mundo inteiro buscam por um grande amor, buscam por uma família harmoniosa, um lar acolhedor e carinhoso.  Percebi que masculino e feminino ainda não se integraram. Que mulheres carregam suas bandeiras e homens também. Eu decodifiquei o invisível, de repente enxerguei o terceiro elemento que ninguém vê. É esse o meu método. Não carrego mais nenhuma bandeira, simplesmente teço redes. O último homem que se colocou na minha frente perguntando: Dra., e o Zé da Penha? Eu respondi diante de uma câmera, na frente de todos que assistiram e ainda vão assistir. Eu disse SIM. Sim para os Homens. Sim para as Mulheres. Sim para todos os versos do Uno. Sim para o Universo. Sim para a Força, para a qual estou a serviço, que amorosamente chamo de Amor. O Amor nos amou.

 

Academia Matemática das Relações
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