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A NECESSIDADE DO DIÁLOGO TRANSFORMADOR

A NECESSIDADE DO DIÁLOGO TRANSFORMADOR

Analisando o panorama mundial, num momento tão peculiar como este, no qual a humanidade vem vivenciando tantas perdas e mortes de familiares, vítimas de um inimigo invisível que é o Coronavírus, e além disso, a mudança de comportamento advinda da obrigatoriedade de manter-se distante socialmente, sendo compulsório o uso de máscaras todas as vezes que saímos de casa, nos faz refletir sobre a conduta de pouco tempo antes, esse distanciamento entre amigos, familiares e relacionamentos íntimos já estava sendo cotidiano devido a atratividade e o consumo de tempo por parte das mais diversas formas de se relacionar pelas redes sociais.

Colocando-nos na posição de observadores diante dessas alterações comportamentais, podíamos presenciar integrantes de uma família inteira sem comunicação, cada um explorando seu universo pessoal por meio dos mobiles e computadores. Casais que foram perdendo a intimidade e até o conhecimento do seu conjuge ou companheiro, devido as mais diversas mudanças de opinião, sonhos, medos, projetos, influenciados por uma mente coletiva presente nessa grande rede manifesta pelo Facebook, Instagram, WhatsApp, Telegram, Linkhedin, Twiter, e demais redes específicas de relacionamento afetivo como Badoo, Tinder e outros.

Segundo o estudo da Psicanálise e Psicologia Analítica, há um processo no comportamento do ser humano, influenciado por fatores externos que ditam uma expectativa social acerca do comportamento, denominado "persona", nada mais é que criações de "verdadeiras máscaras" para atender tais expectativas e se sentir pertencente aquele grupo social. Posso exemplificar essa tese, fundamentada por Carl Gustav Jung, através de uma situação comum como numa circunstância desagradável diante de um chefe, onde a pessoa sente raiva ou tristeza e ainda expressa um sorriso e uma fala diametralmente oposta a que falaria, sem a presença da malfadada "máscara". Assim, as pessoas passam a se comportar de uma maneira padronizada, segundo os conceitos e influencias educacionais, culturais, religiosas, sociais, etc, deixando de expressar seus verdadeiros sentimentos e necessidades e chegando a perder esse contato consigo mesmo, o que corrobora para doenças psicossomáticas, mentais e relacionais, principalmente.

Todavia, apesar de todas essas observações, é possível visualizar uma esperança em meio a esse caos. Todo esse processo de "mascarar-se", de distanciar-se de seus relacionamentos por uma mudança comportamental em face das redes sociais, foi materializado por essa pandemia. Nesses meses as pessoas, de fato, se apresentaram mascaradas, tiveram que se adequar ao "home office", a uma "vida virtual", que acabou tornando-se o único meio de relacionamento, justamente pelas redes sociais. E essa situação oportunizou a reflexão, a percepção de como perderam grandes oportunidades de contatos físicos, de conexão, de comunhão, de intimidade. Após tudo isso, um novo tipo de consciência parece surgir: o valor a conversa entre aqueles que amamos, o diálogo transformador, a necessidade de se permitir exercer a inteligência relacional, num formato de amadurecimento das emoções e escolhas, decidindo por relacionamentos saudáveis.

Academia Matemática das Relações
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